sexta-feira, novembro 25, 2011

As Sombras do Humano. Palestra.

O ódio não é irracional. Em determinadas situações, ele pode ser o “justo afeto”: famílias destruidoras, pais indiferentes, filhos egoístas, cônjuges infiéis, governos cruéis, religiões fundamentalistas, profissões insuportáveis. Filosofia, psicanálise e darwinismo se encontram na mesma indagação: o amor as vezes pode fazer mal? Olhar para as razões do ódio pode ser o melhor remédio contra o amor à mentira, a nova hipocrisia contemporânea. A questão de fundo a ser enfrentada é: quando amar seria um erro?

Luiz Felipe Pondé. Extraido do site da CPFL Culrura.



quinta-feira, novembro 25, 2010

Libertar, partir e chegar.

Ir é tão importante quanto ficar? Partir tem seu poder arraigado a Liberdade, realizam um culto que ecumeniza ânsias, frustrações, e muito mais, valorizam e quantificam a ideia de perda, maximizam nosso ideario de ida e vindas, aumentam a passagem, sinalizam nossas contrições e com a ida jejuamos algumas horas e depois tudo volta a ser ceú e inferno. Nossa fome é partida com os pés nos devaneios de um certo porvir inexorável, sem as fagulhas da prolixidade e das imensas goladas do esdrúxulo bêbado que já partiu faz tempo em suas goladas que sinalizam calçadas, meio fio, ressaca e chegada, não do imaculado homem sem alcool, mas do ser liberto do letargico momento que compõe para nossa existência a importância de se partir e deixar o ficar do ser que se foi.
Pois que parta já, parindo sem risos o trabalho e tudo mais, que se vá se esvaindo de si não de nós e acumule lembranças que somarão bolsas abaixo dos olhos. Para cada ida existe um trafegante ser que parte, lembra, isola, frustra, emociona e por fim liberta a partida para deixa de ser continuo e ressonante, deixa para que a música ressoe almas precisão da estática da chegada. Vai ver alma chegar!

terça-feira, agosto 24, 2010

Você já se acha Clássico?

Quem esta acostumado com elogios já escutou de tudo, pois bem, o que nos faz sermos Clássicos em nossa continua existência? Enquanto existo como pai em uma familia vou estabelencendo claramente minha indole clássica em ser participativo em vários aspectos como música, literatura e etc; Mas desde quando ser clássico passou a ser um elogio de fato? acredito que Clássico é abrangente demais, chega a ser incoerente com o que escrevo, pois escrever ainda que por meio digital não deixa de ser clássico, pois apenas substituimos as ferramentas, lápis papel e outros itens, mas percebão que a internet é clássica sendo hypermoderna, uma retorica clássica para saturar propositadamente este texto que se desdobra sobre hyperlinks que se perderam por entre olhos. Tudo isso nasce, assim teclando ao som de Lou Reed, entre uma faixa e outra, perdão! correção entre um MP3 e outro,mas não demora muito perceber que mesmo em MP3 Lou Reed ainda é um clássico.Porém ele serve a muitos outros propósitos, sua nobreza serve ao espirito cansado do trabalhador digital,que disprende seu tempo para atulizar seu blog, pouco acessado, porém, para manter um certo ar noir e clássico, mantenho aqui algo nada tradicional, ser clássico não envolve custos, nem formulas no Excel, ou redondilhas poeticas ofertadas milhares de poetas, mas sim se libertar de ocasos e acasos de sucessivos email que se juntam e somam mentes que desejam o dinheiro virtual, nossa rara atenção virtual, que cresce no sentido clássico para o usual olhar cibernetico, sem castrações, onde se consumam desejos atormentados por uma sugestiva solidão, diga-se de passagem, clássica, pois ira exigir de você atenção um certo grau depressivo, onde irá remoer certos tormentos alucinados, que envolvem relacionamentos perdidos. Sinto estupidamente clássico, insuportavelmente situado.Tenho agora a dimensão dos canais da TV a cabo são exatos 144 espaços de linhas pixelizadas, que suam mãos, taximetram SAP, pulverizam os clássicos com poderosos Blockbusters.
Sinto-me na obrigação de mendigar a paciência de quem lê, oferecendo-lhe a possibilidade de ser putamente franco quando se dispor a comentar minhas Epifanias, reveladas ao escutar música e de libertar loucura em letras do tipo verdana ou arial 12, sem negrio ou sublinhado, pois classicamente meus MP3s irão se repertir com o passar dos anos e esta loucura atemporal se mostrara percorrendo um caminho que sugere ser clássico em dizer que morrer pode ser como : clicar em iniciar- programas - Microsoft Office - Microsoft Word 2007. De alguma forma morrer já parece uma prática para melhor resistir a tentativa de ser eterno, o que mais é clássico para eternizar do que a fotografia, um gravador de voz, um imã de geledeira da coca -cola, ou um abajur cor de carne. Bom esta noite servi minha demência e minha independente loucura incursiva. Uma boa noite clássica a todos e que durante o seu processo de Clicar - Inicar - desligar seja tranquilo. Um belo Foda-se ao mais tradicional e franco estilo CLÀSSICO.

segunda-feira, maio 24, 2010

Mais Emily Dickinson

A Dor - expande o Tempo -
Eras se enrolam dentro da
Circunferência
De um só cérebro -

A Dor contrai - o Tempo -
Num mero Tiro
Milhões de Eternidades
Cabem num suspiro -

Emily Dickinson
Do Livro Não sou ninguém

Poesia - Emily Dickinson

Não podia beber se
Você antes não bebesse,
Por mais que a antecedesse
O Pensar da Sede.

Emily Dickinson
Do Livro Não Sou ninguém

terça-feira, maio 11, 2010

A Espera

Olhava em minhas fotografias e por vezes sorria quando identificava, a mim e Olivia abraçada, visivelmente e felizes, sim, felizes. Mas isso já tem certo tempo, fiz minhas escolhas e decidi quem com ou sem Olivia minha vida poderia ser melhor. Mas tudo isso é pura fachada, pois Olivia significa ainda muita coisa, penso aqui e ali nela, fico divagando e imaginando o que andara fazendo ela em seus dias?

Já não tenho tempo para pensar, apenas estou aqui Sundance Beach, recostado olhando o horizonte, fitando o leve raio solar que caiu ao longe se despedindo do dia e ambientado horas para o anoitecer, deste lugar onde estou sentado vislumbro um céu que compõe em sua dança nuances de cores que inspiram sensação de infinita liberdade, o céu que sempre quis admirar. Em minhas costas está minha morada, uma casa de um tom amarelo que se confunde em certas horas do dia com a areia da praia, cercada por uma vegetação colocada ali por mim, onde enumero samambaias, bromélias, roseiras, etc. tudo disposto em uma varanda que circunda a casa, algumas redes estão no entorno da varanda, balançadas pelo vento e com um leve frescor da chuva que caíra após o almoço; ao se chegar à sala vê-se certa bagunça, roupas e livros se confundem e se esconde, o odor de incenso é perceptível, um presente de Olivia ainda esta sobre a mesa, e na sala sua presença é perturbadora, mas é minha casa, e como a sala não pertence somente a mim em minhas memórias, vou a outro cômodo, tenho um corredor cheio de fotos, memoráveis, com vários amigos e familiares. Meu quarto não há de ser meu refugio, não quero refúgios. Tenho uma pequena cozinha onde Olivia e nós perdíamos as horas a rir e a conversamos, eu falei Olivia? Nossa, parece uma doença. Uma cozinha como qualquer outra a não ser pelas lembranças, não tenho área dos fundos, e francamente mostrar a casa e meio que me despir, não estou mais afim de nudez.

Retorno a varanda para continuar admirando aquele belo fim de tarde e uma silhueta esta sentada a frente de minha casa a observar o mesmo por de sol, não consigo definir quem seja, se homem ou mulher mais uma pessoas qualquer. Pergunto se que me fazer companhia e sentar ao meu lado ela sinaliza com um sinal de legal, levanta da areia limpando-se e caminha em direção a casa e sobe falando – Meus dias foram assim, viajando e imaginando se te encontraria aqui. – Diz ela com brilhos nos olhos, e abrindo os braços e dizendo meu nome: Mauricio.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Amor Bastante

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto .

Paulo Leminsk

quarta-feira, junho 11, 2008

Nascer

O filho já tinha nome, enxoval, brinquedo e destino traçado. Era João, como o pai, e como aconselhavam a devoção e a pobreza. Enxoval e brinquedo de pobre, comprados com a antecedência que caracteriza não os previdentes, mas os sonhadores. E destino, para não dizer profissão, era o de pedreiro, curial ambição do pai, que, embora na casa dos 30, trabalhava ainda de servente.

Tudo isso o menino tinha, mas não havia nascido. Eles nascem antes, nascem no momento em que se anunciam, quando há realmente desejo de que venham ao mundo. O parto apenas dá forma a uma realidade que já funcionava. Para João mais velho, João mais moço era uma companhia tão patente quanto os colegas da obra, e muito mais ainda, pois quando se separavam ao toque da sineta, os colegas deixavam por assim dizer de existir; cada um se afundava na sua insignificância, ao passo que o menino ia escondido naquele trem do Realengo, e eram longas conversas entre João e João, e João miúdo adquiria ainda maior consistência ao chegarem em casa, quando a mãe, trazendo-o no ventre, contudo o esperava e recebia das mãos do pai, que de madrugada o levara para a obra.

Estas imaginações, ditas assim parecem sutis; não havia sutileza alguma em João e sua mulher: Nem o casal percebia bem que o garoto rodava entre os dois como um ser vivo; pensavam simplesmente nele, muito, e confiados, e de tanto ser pensado João existiu, sorriu, brincou na simplicidade de ambos. Como alguém que, na certeza de um grande negócio, vai pedindo emprestado e gastando tranqüilamente, João e a mulher sacavam alegrias futuras. João sentia-se forte, responsável. Escolhera o sexo e a profissão do filho; a mulher escolhera a Cor; um moreno claro, cabelo bem liso, olhos sinceros. Não havia nada de extraordinário no menino, era apenas a soma dos dois passada a limpo, com capricho.

Esperar tantos meses foi fácil. O menino já tomava muita parte na vida deles, nascer era mais uma formalidade. Chegou março, com um tempo feio à noite, que ameaçava carregar o barraco. A mulher de João acordou assustada, sentindo dores. Pela madrugada, correram à estação; a chuva passara, mas o trem de Campo Grande não chegava, e João sem poder mexer-se. As dores continuavam, João levou tempo para pegar uma carona de caminhão.

Na maternidade não havia médico nem enfermeira que o temporal tinha retido longe. João perdera o dia de serviço e esperou determinado. Afinal, levaram a mulher para uma sala onde cinco outras gemiam e faziam força. João não viu mais nada, ficou banzando no corredor. Entardecia, quando a porta se abriu e a enfermeira lhe disse que o parto fora complicado, mas agora tudo estava em ordem, a criança na incubadora. "Posso ver?" "Depois o senhor vê. Amanhã." Amanhã era dia de pagamento, não podia faltar à obra. Voltaria domingo. Mas no dia seguinte, à hora do almoço, telefonou uma complicação, não se ouvia nada, alguém da secretaria foi indagar! Respondeu que tudo ia bem, ficasse descansado.

Domingo pela manhã, João se preparava para sai; Quando a ambulância silvou à porta, e dela desceu, amparada, a mulher de João. "O menino?" "Diz que morreu na incubadora, João." "E era mesmo como a gente pensava moreninho, engraçado?" Ela baixou a cabeça. "Não sei João. Não vi. Eu estava passando mal, eles não me mostraram".
E o menino, que tinha sido tanto tempo, deixou de repente de ser.
(Carlos Drummond de Andrade, Seleto em Proso e Verso, Liv. José Olímpio, J 978, PP 65 o 66)

Estio

Com remorso ele olhava para quem estava a sua frente, e pensava! Não temos a mesma vida, mas a mesma importância para algumas pessoas; em sua mente perturbada pensava em violência, nos mais variados níveis, queria aniquilar qualquer um naquele dia, tudo seria possível; em sua cabeça rápidas imagens de atos violentos desfilavam; tudo visto por ele na TV, já se encontrava anestesiado e farto de ver sangue, estupros, enfim queria poder ter oportunidade de poder praticá-los, queria se sentir impressionado com sangue alheio entre seus dedos, e se engasgar, ao presenciar o medo expressado por quem morreria por suas mãos, o olhar, a dor, o desespero, de implorar a vida que não é a mesma, mas que tem sentido para muitos.
A situação não é de se colocar no lugar de ninguém, mas medir a distância entre estes dois extremos, o olhar de quem mata e o de quem morre e os de quem olham tudo pela TV, não há na morte sensibilidade que explique esta experiência de se ver morrer por outro que continuará a matar e determinar o seu fim com ou sem requintes de crueldade. A morte que arrasta seu sangue pelos jornais e bem diferente daquela que vem com a velhice e outras doenças congênitas ou adquiridas, ela tem o peso de uma faca expondo vísceras, mutilando um corpo, atravessando órgãos, cegando, queimando, afogando, quase impossível enumerar variações, ela não carrega em seu punho foices e nem veste preto, não chega a ser tão figurativa assim, mancha nossas vidas com perdas.

Mas, resolveu que neste dia viria a perdoar todos os transeuntes, não haveria vitimas fatal por conta de seus delírios queria agora dormir e se ver livre da idéia de morte, mas a morte é a cola da vida, não se dorme sem ela as espreitas, a cada hora de seu sono seu corpo desequilibrava em espasmos e alucinava em gritos, acordaria com o corpo marcado de hematomas e a face desfigurada pelo medo de seus sonhos, certamente começava a viver sua morte, a hecatombe de uma mente, o passamento de suas idéias, o fim de sua normalidade, começava ali a violência da loucura.
O delírio ao escutar qualquer som e associá-lo a gritos, as lembranças, a calma como toda esta loucura dimensiona seu mal e retalha o caráter decompõe a memória, exila pensamentos, o homem que ponderou não assassinar pessoas sofre sua metamorfose e desfigurado pela loucura assina papeis em branco, aniquila seu papel na sociedade, seu olhar agora se assemelha ao de quem morre ao ser flagrado em rua escura e lhe tem o brilho dos olhos apagados, em sua loucura todos os dias são escuros, a chuva penetra seu corpo, gesticula sozinho em seu hábito de dialogar com alguém, imagina que as ruas são os imensos corredores de sua casa e ali anda infinitamente perdido, não a quartos para abrigá-lo. Imagina-se sendo ofendido por todos e ao passarmos somos ofendidos por ele, também seremos alvos de sua fúria em algum momento, quando ele se imaginar agredido.

Mas esta perdido de amor por alguma mulher, que ele nunca irá tocar em sua infinita loucura, e quando a imagina fica resignado, silencia. Em seus surtos esbraveja com tudo a sua volta, a loucura se liberta nos surtos?(alguém pergunta!). O homem que imagina ser motorista de automóvel, e conduz seu corpo por entre veículos na cidade grande manobrando seu volante, os andarilhos que percorrem a cidade falando aos ventos, o apanhador de trecos, com suas sacolas cheias de objetos que para ele são úteis, existem aqueles que se confundem em meio às pessoas que ocupam os coletivos, estes silenciosos lançam seus olhares perdidos e vagam sem direção, seria somente solidão ou uma silenciosa loucura?

sexta-feira, junho 06, 2008

Lamúria

e que me dêem flores
e me lacem a vida
e despejem em mim
Sonatas de agouros
e que levem de mim
o que sempre foi teu.

que nada seja o sempre
e que desejar
seja mais forte
que meus dias com mau humor
de ti,de nós, deles
e de quem mais
vislumbrar
o acaso.

Penso que o avesso
de ti em estar
aqui é Tudo
por nada ver em mim solidão
E solitário
estarei somente
em intentos
e rompantes
surtos
ocaso.

Carlos Robson

Azevichado

E por voltar de um tempo
Sem precisão
E de paixões
onde os caminhos são todos
noturnos
passadiços de novos
corações
imaculados
elocubrar sobre o tempo é nada
que deixa nossa vida mareada
com nossas volúpias
com nossos intentos juvenis
em notória
pausa e silenciada
pelo ser
que agora cabuloso
não comemora com vícios
mas agride com o silêncio
peçonhento
de ser nada.

Carlos Robson

terça-feira, maio 06, 2008

Cinema - Alguns Bons Filmes

Win Wenders

2000 - O hotel de um milhão de dólares (The Million Dollar Hotel)
1999 - Buena Vista Social Club (Buena Vista Social Club)
1987 - Asas do desejo (Der himmel über Berlin)
1994 - O céu de Lisboa (Lisbonne story)

Jim Jarmusch

2005 - Flores partidas (Broken flowers)
2003 - Sobre café e cigarros (Coffee and cigarettes)
1991 - Uma noite sobre a Terra (Night on Earth)
1999 - Ghost Dog (Ghost Dog: The way of the samurai)


David Lynch

2001 - Cidade dos sonhos (Mulholland Drive)
1990 - Twin Peaks (Twin Peaks) (TV)
1980 - O homem-elefante (Elephant man, The)

David Cronenberg

1983 - Na hora da zona morta (Dead zone, The)


Tim Burton

2003 - Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (Big fish)
1999 - A lenda do cavaleiro sem cabeça (Sleepy Hollow)
2007 - Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet

Robert Altman

2001 - Assassinato em Gosford Park (Gosford Park)
1970 - M*A*S*H* (M*A*S*H*)

Spike Lee

1999 - O verão de Sam (Summer of Sam)
2002 - A última noite (25th hour)
1992 - Malcolm X (Malcolm X)

Emir Kusturica

2001 - Memórias em Super 8 (Super 8 stories)
1995 - Underground - Mentiras de guerra (Underground)

Quintana

I

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mario Quintana - A Rua dos Cataventos

A mim basta a poesia

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas,
que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros

quarta-feira, setembro 26, 2007




Biografia:

Interpol é a temida polícia internacional. Isso significa então que esta banda de Nova Iorque faz músicas sobre o programa de tolerância zero, terrorismo e coloca sirenes de carro em suas músicas? Não, não há nada disso. Primeiro, o nome Interpol é apenas um "apelido" do vocalista Paul Banks. Paul, que nasceu na Inglaterra, levou uma vida nômade mundo afora junto com os seus pais. Quando morou na Espanha, os seus amigos o chamavam "Pol, Pol, Interpol". Segundo, o universo das músicas do Interpol é bem mais abrangente - liricamente e melodicamente - do que costumazes canções políticas.
O embrião do Interpol nasceu quando Daniel Kessler e um colega chamado Greg resolveram se juntar para tocar algumas músicas, com Daniel na guitarra e Greg na bateria. Logo em seguida, Daniel conheceu o baixista e tecladista Carlos "D" Dengler, e este entrou no grupo também. Para finalizar, Daniel convidou Paul, que ele havia conhecido em um temporada em Paris, para se juntar ao grupo. Uma única visita de Paul ao estúdio onde Daniel, Greg e Carlos tocavam foi suficiente para que ele se interessasse e integrasse a banda. Nascia assim o Interpol, em 1998.
A banda passou algum tempo dando duro, tocando em estúdios de última categoria, ensaiando e desenvolvendo pouco a pouco seu som. Em 2000, Greg deixou o grupo motivado por razões pessoais, dando lugar a Samuel Fogarino. Daniel conhecia Sam de uma loja de discos. No final desse mesmo ano, os primeiros lançamentos da banda: através do selo escocês Chemikal Underground, o Interpol lançou um EP que fazia parte de uma série chamada FukdID, e logo depois participou de uma coletânea chamada "Clooney Tunes", organizada pelo selo Fierce Panda.

No ano seguinte, a banda já tinha atingido um certo grau de reconhecimento, o que lhes permitiu serem escalados como banda de abertura de gente como Trail of Dead, Delgados e Arab Strap. O ano de 2001 continuou bom para a ascenção do grupo, quando participaram das famosas John Peel Sessions e passaram a ter alta rotatividade nas rádios e palcos europeus
Em novembro de 2001, ao lado dos produtores Peter Katis e Gareth Jones, a banda entrou no estúdio Tarquin (um antigo manicômio infantil), em Connecticut, EUA, para começar a gravar aquilo que seria um dos mais antológicos disco de estréia dos últimos tempos.
"Turn on the Bright Lights", o debut do Interpol, saiu em agosto do ano seguinte e conquistou de maneira quase unânime a crítica e o público ao redor do mundo. Apesar das freqüentes comparações com Joy Division e o post-punk britânico em geral, a banda trabalha sua atmosfera sombria e sonoridade densa de maneira original e bem apoiada na competência técnica de seus membros. O Interpol já se destacou o suficiente para ser apreciado e respeitado pela sua música, e não somente como uma das queridinhas da mídia atual, cuja voracidade para criar hypes voláteis parece estar em seu ápice. O presente do Interpol é brilhante e seu futuro, altamente promissor.
Após muitos shows e o reconhecimento, chegou a hora da importante prova do segundo disco. "Antics" é lançado em 2004, novamente bem recebido por crítica e público, mas sem o entusiasmo do debut de dois anos atrás. O que é natural, até porque a banda soube não cair na armadilha de não lançar um "Turn on the Bright Lights vol. 2". Com "Antics", o Interpol garante sua reputação de uma das mais competentes bandas atuais e sugere uma carreira de muitos bons discos ainda por vir.
Fabricio Boppré e Natalia Vale Asari/ set/2003atualizado em out/2004 por Fabrício Boppré
Retirado do Site - http://dyingdays.net

Discografia:

Turn on the Bright Lights - 2002 (Matador)
Antics - 2004 (Matador)

Referência em Arte

BASE-V é um grupo de artistas de São Paulo, Brasil. O grupo começou em 2002 com o lançamento da primeira edição da Revista V. Pouco depois o site do grupo tornou-se uma comunidade de artistas gráficos, publicando trabalhos do mundo inteiro. O grupo trabalha com diversas mídias, de publicações artesanais a instalações gráficas, misturando materiais e suportes; participa de exposições e coloca alguns trabalhos na rua.
Publicação independente é um forte campo de produção para o grupo, incluindo a segunda edição da Revista V, o nascimento da revista digital Maguila, que está indo para o número 10 e todas as publicações que se seguiram desde então. O grupo participou de algumas publicações como StereoPublication, Revista 45//30, Blank Magazine, Revista Simples, ComputerArts e outras, trabalhou com parceiros como Gravadora Trama, Next Five Minutes, Mídia Tática Brasil, Projeto Nave e fez exposições coletivas em espaços como Hype Gallery(Londres), Galeria Artetica (Roma), Galeria Choque Cultural, Museu de Arte Contemporânea de Americana e Museu de Arte Contemporânea de Bogotá (Colômbia).Projetos futuros incluem a publicação de mais edições de nossa nova série, Base-V Box, a produção de um livro em xerox com diversos artistas do mundo e novas edições da Revista V. A Base-V segue tentando criar novos espaços em artes gráficas e publicações, usando técnicas seculares ou mídias digitais, para expandir cada vez mais o acesso a nossa produção e de outros artistas pelo mundo afora.
Hoje, o grupo é formado por Danilo Oliveira, David Magila, Anderson Freitas e Rafael Coutinho.Para mais, escreva: info@base-v.org
Extraido do própio Site - http://www.base-v.org.

Rasga Mortalha

Meu antiacido
De limpar frieiras no estomago
Minha farda de SER anti-social
Minha face em madrepérola
Minhas lendas que se confundem
E se espalham por minha cabeça
São fomentos para minha náusea
Que se enche e fica a bufar
Irritada
Esbugalha olhos
Tortura sonhos
Esfola na pele vertiginosa
Trilha com tez das múltiplas
Peles de olhos
Que refletiam
O peso da ausência
A clausura e seu sentido
Estimulam a burocracia e o medo
Minha espora é pesada
Meus versos são curtos como minha sanidade
Meus intentos
Sou redundante em mim mesmo
Não sou cópia de nada e nada se agrega a mim
Infinita a música virou meu bueiro
Agora o peso mede minha força
Elevo minhas mãos ao firmamento
Quero entregar a noite
Lembranças que curtas como minha irrisória sanidade
Fazem-me sucumbir à violência de querer ser passado
E pesado sou relento de horas que amassaram o rosto com o resto pueril de minha insólita misericórdia
Incerta, turva, a vista não avista
Meu nada que urina por todo o corpo
Salobre
Insano
Caótico é não lembrar
O peso do nada no corpo que divide o tempo de
Ser antiácido e dissolver minha magoa.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Velho Safado


Charles Bukowski é um dos escritores contemporâneos mais conhecidos dos EUA, e alguns diriam que é o poeta mais influente e o mais imitado. Nasceu no dia 16 de agosto de 1920 em Andernach, na Alemanha, filho de um soldado americano e uma mãe alemã e mudou-se para os EUA com três anos de idade. Cresceu em Los Angeles e lá viveu durante 50 anos. Publicou seu primeiro conto em 1944, com 24 anos de idade, e começou a escrever poemas com 35. Morreu em San Pedro, Califórnia no dia 9 de março de 1994 com 73 anos, pouco depois de ter terminado seu último romance: Pulp (1994).
Publicou mais de 45 livros de prosa e poesia enquanto estava vivo, incluindo os romances Cartas na Rua (1971), Factotum (1975), Mulheres (1978), Misto Quente (1982) e Hollywood (1989). Seus livros mais recentes são as publicações póstumas de Open all night: new poems (2000), Beerspit Night & Cursing: The correspondence of Charles Bukowski & Sheri Martinelli 1960-1967 (2001), the night torn mad with footsteps (2001), Sifting Through the Madness for the Word, the Line, the Way: New Poems (2003).
No Brasil os últimos livros publicados são Hino da tormenta (2003) e Tempo de vôo para lugar algum (2004) que correspondem à primeira e à segunda parte do livro Open All Night: new poems.
A Editora Conrad lançou em 2000 a biografia do Bukowski escrita por Howard Sounes e intitulada Charles Bukowski - Vida e loucuras de um velho safado.

Fonte : http://www.spectroeditora.com.br

One Good Man - William Blake

William Blake nasceu em Londres em 1757, onde viveu praticamente quase toda a sua vida, morrendo em 1827. Filho de um comerciante rico, desde criança gostava de ler e desenhar. Aos dez anos de idade, foi enviado à escola de desenho e, aos quatorze anos, tornou-se aprendiz do famoso gravador James Basire. Dois anos depois, Blake começou a estudar e desenhar as igrejas de Londres, particularmente Abadia de Westminster cuja estilo gótico grandioso impressionou e o fascinou muito.
William Blake foi o primeiro dos grandes poetas Românticos ingleses, como também pintor, impressor, e um dos maiores gravadores da história inglesa. Suas imagens incluem o poeta do século 17, John Milton, descendo dos céus na forma de um cometa e caindo sobre o teto do pintor.
William Blake como tinha estado escrevendo poesia desde os onze anos, teve seus poemas impressos, em 1792, sob o título de " Poetical Sketches ".
Os poemas eram expressão espontânea de um gênio original e visto como um prodígio. A métrica empregada por ele recorre em grande parte ao verso em branco que era uma característica criativa da era Elizabetana.
A partir de 1784, Blake começa a publicar vários de seus poemas: Song of Innocence" e " The Book of Thel " que foi seguido brevemente por " The Marriage of Heaven and Hell ". Os livros eram todos gravados e impressos por ele com auxílio da esposa.
Blake foi um rebelde toda a vida; uma voz solitária contra a marcha da ciência e da razão. Talvez por isso tenha sido visto por seus contemporâneos como um lunático e tenha desfrutado de pouco sucesso quando vivo. Ele falava com anjos nas árvores e uma vez foi encontrado no jardim com sua mulher, ambos nus, brincando de Adão e Eva. Ao longo de toda a sua vida, William Blake foi incomodado pela pobreza, sendo amenizada por alguns amigos. Reclamou sobre a falta de reconhecimento de seu trabalho, mas percebeu logo que não estava só. Escreveu num desabafo:"Até Milton e Shakespeare não puderam publicar seus trabalhos".
A partir de 1794 dedicou-se a trabalhos mais poéticos e, entre eles, " The Gates of Paradise " e " Song of Experience ". Ilustrava com aquarelas seus poemas e trabalhos de amigos.
A maioria das pinturas de Blake (como "The Ancient of Days" sobre a fachada para a Europe: a Prophecy ) é de fato impressões feitas de pratos de cobre que ele cauterizou em um método ele escreveu Ter sido revelado a ele em um sonho. Ele e a esposa coloriram estas impressões com cores de água. Assim cada impressão é uma obra de arte sem igual.
Blake freqüentemente é chamado de místico, mas isto não é realmente preciso. Ele escreveu deliberadamente no estilo dos profetas hebreus e escritores apocalípticos. Ele pressentiu que seus trabalhos eram como expressões de profecias, enquanto seguia nos passos de Milton. Na realidade, ele acreditou claramente que foi a incorporação viva do espírito de Milton.
Aos 67 anos William Blake começou os desenhos para o " Inferno " da Divina Comédia de Dante, e foi tão dedicado que aprendeu o italiano para aprofundar melhor no universo de Dante; trabalhando nestes desenhos até os últimos dias de sua vida.
O trabalho Blake é a maioria das vezes analisado e julgado sob óticas pequenas. Mas os seus escritos iluminados e gravuras são todos, polegadas em tamanho, contudo, quando estudado, são detalhes meticulosos usados por ele, cada trabalho é visto como uma parte de um todo titânico, de um gênio.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

XV Mostra de Arte Primeiros Passos

Vamos prestigiar esta exposição que estará no periodo de 20.12.06 a 26.01.07 nos dias de terça a sexta de 9:30h as 12 h e de 13:30 h as 19:30 h - Sábado de 9 h as 14 h, confira abaxio algumas fotos das belas obras de nossos emergentes artistas locais:


O enigma Vivian Maier.

Fonte :  https://revistazum.com.br/colunistas/o-enigma-vivian-maier/ É difícil saber o que leva alguém a optar por atravessar a vid...